SÉRIE ESCÓCIA - PARTE III: CULTURA POPULAR




Parte III - CULTURA POPULAR



A tradição intelectual e literária da Escócia é forte e representada por grandes nomes, tais como: O poeta Robert Burns, os escritores romancistas Robert Louis Stevenson e Walter Scott, além do filósofo David Hume.

A cultura escocesa é bastante curiosa, com suas roupas típicas, a gastronomia e suas lendas. Na sua economia possui alguns bancos que fazem o seu próprio dinheiro.  E até mesmo o idioma é bastante adaptado, sendo usadas três principais línguas, o gaélico escocês, o scots e também o inglês da Escócia.

Abaixo temos alguns exemplos da cultura escocesa:

  • Festival


Quando o assunto é cultura, a capital Edimburgo sedia um dos festivais culturais mais importantes da Europa, o Edinburgh Military Tattoo, com diversas atrações musicais, literárias e teatrais. O festival acontece na esplanada do Castelo de Edimburgo e conta com atrações de vários lugares do mundo. 

  • Vestuário

Quando ouvimos falar de Escócia, pensamos em homens usando saias. Esse vestuário não é uma saia qualquer, há uma história. Chama-se Kilt, uma adaptação de uma túnica de lã chamada Playd, que era o traje típico de homens e jovens das montanhas escocesas.

O kilt original era feito tradicionalmente de tecido de lã e com padrões de tartan (que significa quadriculado na língua celta), que protege contra o frio e a umidade. Cada clã ou família tinha um tipo de quadriculado que identificava seus integrantes.

Dentre os Clans mais famosos, podemos destacar:


Os MacDonalds:


Eram um dos maiores e mais poderosos clãs da Escócia. Seu chefe tinha o título de Lorde das Ilhas.


Os Campbells:


Eram muito temido na Escócia e um dos mais envolvidos no derramamento de sangue nas Highlanders. Ficaram famosos nos combates contra os jacobitas em 1746.



Os MacLeods:


Um dos mais famosos graças ao filme “Highlander”, cujo personagem imortal se chamava Duncan MacLeod, vivido pelo ator Christopher Lambert. O famoso castelo Dunvegan, na Ilha de Skye, pertence a eles.


Os Stuarts: 


Formavam a dinastia real da Escócia e posteriormente da Inglaterra até 1714. Seu tartan é dos mais conhecidos e apreciados na Escócia e no mundo.


A seguir, veremos quais as partes de kilt para ocasiões mais formais:


Jacket: Este é o modelo mais formal, usado apenas em eventos tipo black tie. É um dos modelos mais elegantes também.
Tie: Gravata tipo borboleta.
Belt and Buckle: Cinto e fivela especial, geralmente com símbolos celtas.
Kilt: A "saia" propriamente dita. Ele define o Clan.
Garter Flashes: Uma espécie de elástico com detalhes em tartan, na mesma padronagem do kilt.
Kilt Hose: Meia especial e muito cumprida, feita especialmente para usar com kilt.
Kilt Pin: Um broche que serve para preder a parte dianteira do "envelope" do kilt.
Skean Dhu: Um faca pequena, geralmente adornada com uma pedra.
Guillie Brogues: Sapato especial para uso com o kilt. Ele não tem aquela tradicional "lingua" e possui um cadarço longo e de couro.






Diz a lenda que os escoceses não usam nada embaixo do kilt. Será?






  • Música

A Gaita de foles é um instrumento que ao vermos ou ouvirmos pensamos automaticamente na Escócia. Isso se deve, sobretudo à grande popularidade que esta goza no mundo anglo-saxônico e resultado da influência dos meios de comunicação e produções cinematográficas.

Apesar de estar mais associado às Terras Altas da Escócia, este instrumento está difundido nas ilhas britânicas e em praticamente todo o mundo, especialmente nas ex-colônias do Império Britânico, como por exemplo, o Paquistão ou a Índia, que são fabricantes em massa deste instrumento.

Porém, muitos historiadores apontam o uso de instrumento musical semelhante pelos Egípcios na Idade Antiga e existe outra linha de estudo que afirma que os Romanos já utilizavam um tipo de Gaita de Foles para estimular seus combatentes e que levaram a cultura da Gaita por quase todos os impérios conquistados, o que explicaria a chegada da Gaita na Escócia, apesar dos Romanos nunca terem conquistado a Escócia. Eles achavam os escocês um povo bárbaro e de difícil conquista.

Hoje em dia existem vários países que possuem suas versões da Gaita de Foles, dentre eles a Espanha com a Gaita Galega (origem Celta), Irlanda com a Uilian Pipe, a Rússia com a Volynka e a Itália com a chiarame.
Mas o que todos nós não podemos discordar é que apenas a Escócia manteve a uso da Gaita de Foles e a transformou numa marca nacional, reconhecida pelo mundo inteiro.

A Gaita de Foles Escocesa é composta por tubos, uma espécie de flauta e uma bolsa de couro. As mais modernas trazem um tartan recobrindo a bolsa de couro que serve como reservatório de ar. A nomenclatura corretas de suas partes são:



Bag : É um reservatório de ar feito com couro de carneiro. A pressão é exercida sobre esta bolsa de couro para poder emitir os sons.
Chanter : Esta parte do instrumento se parece com uma flauta e, logicamente, é responsável pela produção das notas musicais.
Blowpipe : Tubo pelo qual o músico/piper sopra o ar para encher a bolsa de couro (bag).
Mouthpiece : É um tipo de bico especial para uso na boca e para soprar o ar. Este dispositivo possui uma válvula para evitar que o ar pressionado na bolsa de couro retorne nos momentos entre um sopro e outro
Drone : Estes tubos produzem um som grave e contínuo.
Para curtir uma aula rápida de como tocar uma Gaita de Foles Escocesa acesse o site http://www.howcast.com/videos/2509-How-To-Play-the-Bagpipe







E olha eu aí com um tocador de gaita na Royal Miles em Edimburgo... e não, não procurei saber se a lenda do kilt é verdadeira!








  • Gastronomia

A cozinha tradicional escocesa depende muito de ingredientes como tubérculos e raízes, cevada, aveia, ovinosfrutos do mar e peixes, especialmente bacalhau. Os fazendeiros e os pobres tinham pouco acesso à carne. Os seus pratos incluíam sopas com muitos vegetais e um pequeno pedaço de carne (carne de carneiro, bovino e aves). Os pratos eram temperados com sal e pimenta devido à falta dos outros ingredientes.

Alguns pratos típicos escoceses são:


O Café da Manhã Escocês (Full Scottish breakfast)
 
O café da manhã tradicional é composto de salsichas, feijões, ovos, torradas com manteiga, bacon, cogumelos, tomates grelhados, tattie scone (um tipo de panqueca de batata) e o black pudding (salsicha feita de sangue de porco). 




Eu tentei comer esse Full Scottish Breakfast, e que nenhum escocês leia isso, detestei! Só consegui comer o ovo e a tattie scone. O feijão é doce, coisa que nós brasileiros não temos no nosso cardápio. O bacon parece um presunto frito. Quem gosta de chorizo vai gostar do black pudding, o que não é o meu caso. Essa foto ai ao lado é do meu prato no café da manhã em Edimburgo.






Haggis


Talvez o mais conhecido prato da Escócia, é feito dos miúdos do carneiro, cozidos dentro do estômago do animal. É frequentemente servido com neeps and tatties, um purê de turnips (um tipo de nabo) e batatas.





Caboc Cheese
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É um queijo cremoso com 67/69% de gordura, que historicamente, foi produzido para os ricos e é o queijo mais antigo da Escócia. Ele vem das Terras Altas e é conhecido desde o século XV. Ainda hoje, a receita é um segredo que passa de mãe para filha.



Crowdie Cheese
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É um queijo cremoso. Ele é muitas vezes comido com oatcakes (bolos de aveia) e recomendado antes de um ceilidh, uma dança tradicional gaélica, porque dizem que ele alivia os efeitos do whisky. A estrutura é mole e esmigalhada.




Steak pie
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É feito de bife guisado e gravy de boi, fechado em massa. Muitas vezes mistura-se vegetais na receita.




Cranachan
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É a sobremesa tradicional da Escócia. Atualmente é feito da mistura de nata batida (a receita original é com queijo crowdie), whisky, mel e framboesas frescas.



Sliced sausage (square ou lorne sausage)
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A linguiça quadrada é considerada uma delicadeza na Escócia. A carne consiste de picadinhos de cerne de porco ou de boi ou uma mistura das duas, e é formada ao quadrado e cortada em fatias de espessura de um centímetro. É o favorito no café da manhã na Escócia.


Ale, a Cerveja da Escócia
 


É produzido na Escócia há cinco mil anos, no início com spelt (Dinkel), aromatizado com ervas ou flores do prado. No fim do século XIX, o lúpulo substituiu as ervas.







Scotch whisky
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Conceitualmente, o whisky é uma bebida alcoólica produzida à base de cereais, tendo em sua composição cevada maltada, cevada não maltada e água. Apesar de precisar de apenas 3 semanas para a mistura ficar pronta, é necessário a bebida ficar nos barris de carvalho, por no mínimo, 8 anos para envelhecer.
As faces de produção do whisky são: maltagem, secagem, moagem/maceração, fermentação, destilação e envelhecimento.
O “Scotch” como é chamado a bebida escocesa, tem na etiqueta a designação “Scotch whisky”, escrito exatamente assim, podendo a palavra whisky ser escrita, algumas vezes, em letra maiúscula. Se no rótulo é identificado por Scottish whisky ou Scotch whiskey, é com certeza uma falsificação.
No Brasil é conhecido como Uísque e nos EUA e Irlanda como whiskey. Como a pronuncia é praticamente a mesma, quando quiser beber um autêntico escocês, basta pedir um “scotch”, que em qualquer lugar do mundo saberão o que você deseja.


  • Lendas

Monstro de Glamis
 
Diz a lenda que o monstro de Glamis foi um membro deformado da família Bowes-Lyon, que foi mantido em uma câmara secreta no Castelo de Glamis. O "monstro" foi acusado de ser Thomas Bowes-Lyon, o filho mais velho da tataravó da rainha-mãe, que nasceu em 1821. Os registros oficiais sugerem que a criança morreu na infância, mas, ao longo dos anos, os boatos de sua sobrevivência se espalharam. De acordo com a história, a cabeça de Thomas saía de sua caixa torácica anormalmente grande, e possuía braços e pernas minúsculos.


Os Homens Azuis de Minch
 
Estas criaturas misteriosas do mar viviam no trecho de água entre a Ilha de Lewis e o continente. Pareciam seres humanos, mas tinha pele azul e nadavam ao lado dos barcos de pesca, fazendo o seu caminho através desse trecho de água tentando atrair marinheiros ao mar. A lenda diz que eles também conseguiam conjurar tempestades para naufragar navios e que eles viviam em cavernas submarinas, onde eram governados por um chefe. Diz se que se um marinheiro fosse atraído por eles, conseguiria fugir apenas se fosse bom de rima.


Kelpie
 
Dada a forma como os mares em torno da Escócia regularmente tiravam a vida dos pescadores da região, não é de se surpreender que quem vivesse na costa tinha muito medo da água. E é por isso que muitos de criaturas míticas da Escócia "viviam" lá, incluindo o kelpie. Assombrando lagos e rios, eles apareciam para os viajantes cansados ​​como pôneis perdidos com a crina molhada. Se você subisse na criatura, ela iria levá-lo direto para a parte mais profunda da água, afogando-o no processo.



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Selkie

A versão escocesa de sereias eram criaturas meio-humanas, meio-focas que podiam tirar suas peles de foca sempre que quisessem. Acredita-se que eles se originaram em Orkney, mas a Irlanda, as Ilhas Faroé e a Islândia tem suas próprias versões. Eles muitas vezes faziam parte de contos que falavam de como eles arrancavam suas peles de foca para se casarem com pescadores e terem filhos antes de colocar suas peles novamente e desaparecer de volta ao mar. Esse conto é semelhante também com o folclore brasileiro do Boto Cor-de-rosa.

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Red Cap
Encontrados entre os castelos em ruínas espalhados através das fronteiras escocesas, os Red Caps (Chapéus Vermelhos) eram criaturas semelhantes aos goblins, assassinos que matavam os viajantes que acabavam surgindo em seu caminho. Eles, então, tingiam seus chapéus com o sangue de suas vítimas e precisavam seguir matando, já que se o sangue de seus chapéus secasse, eles morreriam. Apesar de usar botas de ferro revestidos, os demônios dentuços eram conhecidos por serem muito rápidos para fugir e por isso a única maneira de escapar era citando uma passagem da Bíblia.


Wulver
 
Descrito como um homem coberto com o cabelo castanho curto, mas com uma cabeça de lobo, o wulver faz parte do folclore escocês. Enquanto outros lobisomens míticos eram conhecidos por sua agressividade, o wulver era da paz e gastava seu tempo pescando em uma rocha conhecida até hoje como A Pedra do Wulver. Pra você ver como ele era 100% amor: o wulver tinha costume de deixar os peixes que pescava na janela das famílias pobres. Infelizmente não é visto há mais de 100 anos.


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Banshee
A palavra "Banshee" vem do gaélico "bean shidh", que significa "mulher de paz". Embora diferentes culturas tivessem suas próprias versões, as banshees eram identificadas como as mulheres encontradas perto de córregos, lavando o sangue das roupas das pessoas prestes a morrer. Em alguns contos, elas são descritas como tendo apenas uma narina, um longo dente, pés de pato e com seios muito caídos. Algumas pessoas acreditavam Banshees eram os espíritos de mulheres que morreram durante o parto.


Nessie
 
O Monstro de Loch Ness, também conhecido por Nessie, é uma criatura aquática que alegadamente foi vista no Loch Ness (Lago Ness), nas Highlands da Escócia. A sua existência, ou não, continua a suscitar debate entre os céticos e os crentes, e é um dos mistérios da criptozoologia. O monstro de Loch Ness é descrito como uma espécie de serpente ou réptil marinho.
As primeiras referências da aparição de Nessie são do ano 565 D. C. narrado em uma biografia de São Columbano (poeta irlandês que levou à Escócia a religião cristã) por um escriba chamado Adamnan e um século após a sua morte, conta que quando o santo chegou em uma praia do lago Ness encontrou com alguns nativos que falavam de um homem que tinha sido mordido por um monstro marinho enquanto estava nadando.
Diante desse fato, São Columbano enviou um de seus colegas à outra margem para que apanhasse uma barca que ali estava afundada. Mas mal havia chegado na metade do trajeto quando um monstro, irritado com o nadador, se lançou contra ele. O santo, diante desse aparecimento, fez o sinal da cruz e ordenou à criatura que se afastasse dele e o monstro fugiu aterrorizado.
Recentemente, foi encontrado escondido dentro das páginas de um manuscrito do século 12, uma descrição e um desenho do animal conhecido por milhões como Nessie.
Após vários relatos, a primeira Imagem foi feita em 13 de novembro de 1933 por Hugh Gray, um empregado da British Aluminium Company, que numa distância de 60 metros fotografou um grande objeto aflorando na superfície. A foto, no entanto, era muito indistinta, e os céticos na época, sugeriram que poderia se tratar de um tronco de árvore ou de uma massa de vegetação, em vias de decomposição.
O interesse pelo monstro esfria um pouco, até que novamente explode em 21 de abril de 1934, quando o Daily Mail publica uma fotografia em que se distinguem claramente a cabeça e o pescoço de uma estranha criatura que emerge da água. A fotografia teria sido feita pelo tenente coronel Robert Kenneth Wilson, um cirurgião de Londres, e seu negativo não mostrava nenhum traço de possíveis manipulações.
De tempos em tempos surgem notícias de que Nessie foi vista, mas provas concretas nunca existiram e até hoje a pergunta que não quer calar é: Lenda ou verdade?
Em 29 de maio de 2003, o governo escocês declarou que o monstro não existe e suas aparições são fruto da imaginação.


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Castelo de Edimburgo
O castelo de Edimburgo possui a fama de ser o mais assombrado da Escócia e a própria cidade a mais assombrada. Há relatos de visitantes que avistaram o fantasma de um tocador de gaita de foles, de um tocador de tambor sem cabeça, de prisioneiros franceses da Guerra dos Sete Anos e até de um cachorro vagando no cemitério dos cães.




Ainda bem que não vi nenhum fantasma! Ia ser complicado sair correndo nas ladeiras de Edimburgo!



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