PAQUETÁ - A ILHA DA MORENINHA

    Na cidade do Rio de Janeiro, a Ilha de Paquetá foi um dos destinos turístico literário mais frequentado no século XIX, que serviu como palco do romance “A Moreninha” de Joaquim Manoel de Macedo, um grande sucesso que se tornou um dos livros mais lidos de todos os tempos no Brasil, além de ter sido gravado duas versões de telenovela, produzidas em 1965 e 1975 pela Rede Globo. 

   Joaquim Manoel de Macedo foi um médico que nunca exerceu a profissão, pois dedicou sua vida à literatura. Tornou-se o autor mais lido no Brasil de sua época, sua obra representava a classe média carioca que habitava a corte em meados do século XIX.




    Existem afirmações que o romance teria sido escrito quando o autor esteve hospedado em uma pensão na ilha, próximo à atual Praia da Moreninha, antigamente chamada Praia do Itanhangá. É no final desta praia que existe a pedra que posteriormente passou a ser chamado de Pedra da Moreninha. 

     O romance A Moreninha é considerado o primeiro romance romântico brasileiro. Apresenta uma linguagem simples, um enredo que prende o leitor com algum suspense e um final feliz típico dessa fase do movimento do Romantismo. A obra remonta o cenário da alta sociedade carioca em meados do século XIX. Joaquim Manuel de Macedo ganhou notoriedade na corte carioca, pois a obra caiu no gosto do público.
   
    A obra mostra os costumes e a organização da sociedade que se formava no século XIX no Rio de Janeiro: os estudantes de medicina, os bailes, a tradição da festa de Sant’Ana e o flerte das moças. Também está presente a cultura nacional, através da lenda da gruta, em que  o choro de uma moça que se apaixonou por um índio e não foi correspondida se transforma na fonte que corre na gruta. 

    A idealização do amor puro, que nasce na infância e permanece apesar do tempo, é uma das principais características que enquadram a obra como romântica. Além disso, a menção à tradição religiosa, o sentimentalismo e caracterização da natureza através da ilha, da gruta e do mar contribuem para montar o cenário do amor romântico entre Augusto e Carolina.  

    A linguagem da obra é simples, com a presença do popular. O narrador é onisciente, em terceira pessoa. O romance se desenrola em três semanas e meia, em tempo cronológico. A leitura leve, o suspense presente no decorrer do romance e o final feliz fizeram da obra uma referência, que teve repercussão não só na época de sua escrita, como também é lida até hoje (Fonte: educação.globo.com).


Como Chegar:

    A viagem para Paquetá leva 70 minutos de barca. No site http://www.grupoccr.com.br constam informações de horários das saídas e chegadas das barcas, tipos de embarcações e localização dos terminais hidroviários. 

    A barca, que sai da Praça XV no centro da cidade do Rio de Janeiro, atraca no cais em frente a Praça Pintor Pedro Bruno e como automómeis não circulam pela ilha, pode-se passear à pé, de bicicleta ou de charrete com o condutor que conhece todos os pontos e a história da Ilha, servindo também como guia turístico (Fonte: Rio de Janeiro Aqui).

    Paquetá preserva até hoje patrimônios históricos, como a Casa de José Bonifácio e a famosa e centenária Maria Gorda, um baobá com circunferência de mais de três metros de largura. Com cerca de 4,5 mil moradores, a ilha pertence ao bairro do Centro e foi transformada em Área de Preservação do Ambiente Cultural (APAC) em 1999.


Pontos Turísticos:



1 - Pedra da Moreninha - localizada no final da Praia da Moreninha, a pedra que leva o mesmo nome é um mirante que na literatura, a personagem principal aguardava o amado no alto da pedra.



2 - Pedra dos Namorados - entre as muitas lendas de Paquetá, uma das mais populares é a da Pedra dos Namorados, rochedo arredondado que fica na Praia José Bonifácio. Diz a lenda que quem visita a ilha pela primeira vez deve, de costas para a pedra, lançar três pedrinhas sobre ela enquanto pensam na pessoa amada. Basta que pelo menos uma delas fique no alto do rochedo para que o desejo seja alcançado.

3 - Solar Del Rey - tombado em 1937 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e localizado na Rua Príncipe Regente, serviu como hospedagem para a família real desde a chegada de Dom João VI ao Rio, em 1808. O antigo casarão, que passou a abrigar a Biblioteca Popular de Paquetá, foi fechado a visitação pública para obras.

4 - Casa de José Bonifácio - principal articulador da Independência do Brasil, José Bonifácio se exilou em Paquetá, onde viveu os últimos anos de vida, após ser destituído da tutoria de Dom Pedro II, em 1833. A casa, localizada na praia que recebeu o nome do patriarca de independência, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1938. Por se tratar de uma residência particular, não é aberta à visitação pública e pode ser vista apenas externamente.

5 - Casa da Moreninha - a casa rosa, localizada na Praia Grossa, pode ser vista logo na chegada à ilha. Residência particular, foi utilizada como cenário da novela "A Moreninha", da TV Globo, na metade da década de 1970. Construída nos primeiros anos do século XX, a bela casa também não está aberta ao público, mas já virou cartão postal da ilha e vale uma foto do bem preservado.

6 - Cemitério de Pássaros - único no Brasil, o cemitério de passarinhos e aves fica na Rua Joaquim Manoel de Macedo, ao lado do cemitério local, parada obrigatória dos visitantes da ilha. A iniciativa teria sido de uma liga artística que havia em Paquetá entre 1923 e 1949, sob as lideranças do artista plástico Pedro Bruno e de seu amigo Augusto Silva. A data da inauguração não é precisa, mas segundo antigos moradores teria sido em 1940.

7 - Maria Gorda - plantada há mais de um século na Praia dos Tamoios, o baobá, espécie de origem africana, tem quase três metros de diâmetro e é um ponto turístico disputado em Paquetá. É uma das dez árvores tombadas da ilha por um decreto de 1967. Reza a lenda que quem beijar a Maria Gorda terá sorte por longo prazo. O exemplar de Paquetá é um dos cinco existentes no estado.

8 - Capela de São Roque - erguida em 1697, a Capela de São Roque foi a primeira igreja da ilha e homenageia o padroeiro de Paquetá. Durante a Revolta da Armada, no final do século XIX, o templo foi usado como necrotério, tendo sofrido sua última grande reforma logo após este fato, no início do século seguinte. Ao lado da construção há um poço, hoje desativado, e reza a lenda que quem bebesse da sua água se apaixonaria por alguém de Paquetá. A capela foi tombada pela prefeitura em 1999. 

9 - Parque Darke de Mattos - ocupa a área de uma antiga chácara, entre as praias José Bonifácio e dos Frades. O local é cercado por árvores centenárias, trilha, túneis e cavernas. Há também dois mirantes, nos morros da Cruz e do Vigário, com uma linda vista para as praias, montanhas, serras e ilhas do Arquipélago de Paquetá.


Comentário Pessoal:

    Fui a Paquetá diversas vezes, ao contrário de muitas pessoas que vivem no Rio de Janeiro e nunca fizeram essa travessia entre o continente carioca e a ilha. A viagem é agradável e tranquila.  Algumas dessas visitas foram nos momentos gloriosos de um lugar aprazível e de uma natureza espetacular, mas na última vez fiquei decepcionada com seu abandono visível. E na pesquisa para esse trabalho, descobri que nada mudou, pelo contrário, os moradores reclamam do saneamento, do crescimento desordenado de comunidades carentes, com seus pontos de venda de drogas, assaltos, e violências. Reclamam também das barcas sem manutenção e dos constantes  atrasos. Isso sem contar a poluição da Baia de Guanabara. 

   Outro fator de reclamação são os maus tratos dos cavalos que puxam as charretes de passeio. Animais magros por falta de alimentação e obrigados a puxar pesos além da sua capacidade. Por outro lado, os donos se defendem dizendo que sem turistas não conseguem renda suficiente para cobrir as despesas com os animais. 

    Com esse panorama, podemos observar que uma ilha que poderia ser paradisíaca, como já foi em tempos passados, perde chances de lucrar com o turismo e melhorar as condições de vida dos comerciantes e moradores.  

    Neste contexto, o fundamental para alavancar o turismo e principalmente o Literário, seria uma parceria entre a secretaria de turismo e prefeitura do Rio de Janeiro, Turismólogos, Agências de Viagens para revitalizar esse destino.



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