SÉRIE ESCÓCIA - PARTE II: A HISTÓRIA




Parte II - A HISTÓRIA



É impossível falar em história na Escócia sem comentar sobre as guerras e as diversas tentativas de conquista deste povo guerreiro.


Uma das primeiras que se tem notícias e que inicia o registro na História da Escócia, foi a invasão Romana por volta do século I, e que durou 350 anos. Nesse período, o máximo que os romanos fizeram foi construir, no ano 120, uma muralha para separar a Britânia dos Scots, que ainda existe e é conhecida como a Muralha de Adriano (o "Cesar" que a construiu). Após isso, no século V, os Anglos e os Saxões vindos da Alemanha, decidiram se estabelecer na ilha e expulsaram os romanos.

Em março de 1306, Robert Bruce revoltou-se contra o domínio inglês e se coroou rei em Scone. Eduardo II, filho de Eduardo I, não foi capaz de levar avante a guerra mantida por seu pai, e, por volta de 1314, quase todos os castelos ingleses da Escócia haviam sido conquistados pelas forças de Bruce. Mas a Inglaterra só reconheceu o trono escocês em 1328.

Liderados por "Guilherme O Conquistador", em 1066 os normandos (Vikings) derrotaram os Anglo-Saxões (Ingleses) e assumiram o controle da Ilha. E Guilherme derrotou o Rei Haroldo na batalha de Hastings.

A unificação do reino escocês foi a principal realização dos descendentes de Malcolm III Canmore e sua esposa Margarida (posteriormente canonizada), e essa dinastia ocupou o trono até a morte de Alexandre III em 1286. O casamento entre membros das dinastias inglesa e escocesa estreitou os laços entre os dois reinos. Muitas instituições escocesas foram criadas segundo o modelo inglês e várias famílias normandas da Inglaterra estabeleceram-se a partir de então na Escócia.

O contato com a Inglaterra e com o continente propiciou o desenvolvimento do comércio e a formação dos burgos. Os mais antigos burgos da Escócia foram Edimburgo, Stirling, Berwick e Rexburgo, mas outros surgiram, de modo que no século III já constituíam uma rede na região das Terras Baixas.

Após a morte de Alexandre III, em 1286, que não deixou herdeiros ao trono, iniciaram os conflitos com a poderosa vizinha Inglaterra. Em uma disputa pelo trono, Eduardo I da Inglaterra colocou no trono João Balliol, que encontrou a oposição dos barões escoceses, que se aliaram a Filipe IV da França. O que levou o Rei inglês invadir a Escócia, e encontrar severa resistência, liderada por William Wallace, na batalha de Stirling em 1297, conhecida como a Batalha da Ponte de Stirling, onde os escoceses aguardaram o máximo de ingleses cruzar a ponte para atacar. Calcula-se que mais de 5.000 ingleses morreram e os escoceses tiveram sua confiança fortalecida. A Ponte onde ocorreu a batalha foi destruída a mando do comandante inglês John de Warenne, sexto Conde de Surrey.

Em 23 de junho de 1314, Robert Bruce comandou um contingente de 9.000 homens para interceptar o exército inglês comandado por Eduardo II da Inglaterra. A Batalha de Bannockburn recebeu esse nome por ter ocorrido próximo ao riacho de Bannock Burn, um afluente do Rio Forth. A derrota dos ingleses pode ser atribuída a localização do embate entre dois riachos e o solo pantanoso. 

William Wallace e Robert Bruce são reverenciados até hoje. Existem estátuas deles por toda a Escócia, ornamentando a entrada de Castelos, como o de Edimburgo. No caso de William Wallace, os escoceses ergueram um monumento gigantesco em Stirling, que pode ser visto de longe, e que dentre várias relíquias está a sua espada usada há mais de 700 anos.
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Após a morte de Bruce, em 1329, seu filho David I foi coroado Rei e perdeu o trono em 1371 para Eduardo Balliol (filho de João Balliol), que teve auxílio da Inglaterra.

A resistência prosseguiu no norte e no oeste até que os escoceses conseguiram reaver a maior parte de seu território. Mas a contínua e prolongada guerra contra os ingleses desorganizou a economia e enfraqueceu a autoridade do rei, fortalecendo os barões, que recebiam grandes concessões territoriais para apoiar a coroa escocesa. Uma instituição política beneficiou-se, porém, desse período conturbado: o parlamento. Necessitando levantar dinheiro para as lutas, os reis por várias vezes reuniram assembleias de nobres e representantes dos diversos burgos.

A união política entre a Escócia e a Inglaterra iniciou com o casamento entre Jaime IV da Escócia e Margarida Tudor, filha de Henrique VII, em 1503. Quando Henrique VIII subiu ao trono, Jaime tentou declarar independência, mas foi derrotado e assassinado em Flodden Field em 1513. E assim, Henrique VIII iniciou uma verdadeira caçada aos descendentes de Jaime IV, mas deixou escapar figuras importantes, como Mary Stuart a neta de Jaime V, que mais tarde seria rainha da Escócia.

A tendência religiosa de Mary, que era católica, associada a outros fatos, fez com que ela abdicasse ao trono da Escócia em favor de seu filho, Jaime VI, e foi se refugiar na Inglaterra. Havia desconfiança que ela poderia brigar pelo trono inglês, o que era um perigo aos ideais protestantes da Inglaterra. Por este motivo, a Rainha da Inglaterra, Elizabeth I, sua prima, filha de Henrique VIII e Ana Boleña, a manteve prisioneira durante quase 20 anos. Havia pressão da nobreza para executar Mary Stuart. E dessa forma foi julgada e decapitada, supostamente por ordens de Elizabeth I.

Em 1603, anos após a execução de Mary Stuart, morre Elizabeth I, e como não deixou herdeiros direto ao trono inglês, ironicamente o filho de Mary Stuart, Jaime VI da Escócia, ocupou o trono inglês com o nome de Jaime I. Ele reinou sobre ambos os países, incluindo a Irlanda, e uniu as coroas, mas apenas 100 anos depois, em 1707, os parlamentos escoceses e ingleses foram formalmente unidos.

É neste momento que a história da Escócia e da Inglaterra se fundem e tem início uma batalha por convicções religiosas que proporcionou a queda e ascensão de vários reinados.



A Batalha de Culloden, uma das mais famosas guerras da Escócia, ocorreu em 16 de Abril 1746 próximo a Inverness e foi o confronto final dos Jacobitas em nome do rei Charles Edward Stuart contra um exército comandado por William Augustus, Duque de Cumberland, leal ao governo britânico. A causa jacobita era derrubar a Casa reinante de Hanover e restaurar da Casa de Stuart ao trono britânico. 

O Execrcito Jacobita de Charles Stuart era formado em grande parte por escoceses e um pequeno destacamento de ingleses do Regimento de Manchester. Os Jacobitas foram apoiados pelo Reino de França e unidades francesas e irlandesas leais a França faziam parte do exército jacobita. 

A batalha foi ao mesmo tempo rápida e sangrenta. Entre 1.500 e 2.000 jacobitas foram mortos ou feridos na batalha, enquanto os britânicos tiveram 50 mortos e 259 feridos. O rescaldo da batalha e repressão subsequente aos jacobitas foi brutal. Os Ingleses introduziram penalidades para enfraquecer a cultura gaélica. Clãs foram dissolvidos, o tartan, os kilts, as gaitas-de-foles e a língua gaélica escocesa proibidos.

Atualmente Culloden é um memorial em homenagem aos jacobitas. E dizem que o local é assombrado - como acontece em vários lugares da Escócia, os fantasmas fazem parte da sua cultura.  


















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